A política agora aparece ao lado de tutoriais de beleza, comédia e trechos de podcasts nos feeds das redes sociais. Durante as eleições de meio de mandato de 2026, campanhas informam criadores sobre disputas acirradas e colaboram em publicações, enquanto grupos de defesa de causas oferecem treinamento, pesquisa e apoio financeiro. Criadores também estão cobrindo as eleições em transmissões ao vivo no YouTube, ao lado das transmissões das redes tradicionais.

A estratégia dá às organizações políticas acesso a públicos engajados que talvez não procurem notícias políticas. Também pode ajudar criadores a tornar a cobertura política uma parte mais contínua de seu trabalho. Mas lembretes para se registrar para votar, entrevistas com candidatos e publicações pagas por campanhas podem parecer semelhantes em um feed, embora os vínculos por trás delas sejam diferentes.

Pesquisas mencionadas na reportagem original apontam para o alcance potencial dessas parcerias. Uma pesquisa de 2025 do Pew Research Center constatou que 21% dos adultos dos EUA recebiam notícias regularmente de influenciadores de notícias, incluindo 38% dos adultos de 18 a 29 anos. Entre essas pessoas que consumiam notícias regularmente, 69% disseram que se deparavam com as notícias principalmente por acaso, em vez de procurá-las ativamente. Em uma pesquisa da Morning Consult realizada em setembro de 2026, 26% dos adultos dos EUA disseram que publicações de criadores haviam influenciado em quem votaram, enquanto 56% disseram que elas haviam afetado suas opiniões sobre questões políticas ou sociais.

Algumas parcerias com criadores se concentram na participação cívica, e não na promoção de candidatos. O Voting Squad, da When We All Vote, por exemplo, já trabalhou com criadores de áreas como beleza, saúde e plantas de interior. O criador de conteúdo de beleza Gabriel Zamora incluiu um lembrete para se registrar para votar em um vídeo de maquiagem. A iniciativa apartidária foi fundada por Michelle Obama.

Outras organizações, incluindo Chorus, YALLvote e Gen-Z for Change, apoiam criadores que trabalham com participação cívica ou defesa de causas. A Chorus, uma organização progressista sem fins lucrativos, oferece treinamento, pesquisa e bolsas mensais. Seu fundador, Brian Tyler Cohen, disse ao Mashable que, para alcançar e informar os americanos, é preciso trabalhar com públicos de diferentes origens e interesses de conteúdo.

Conteúdo político não significa automaticamente que um criador tenha uma relação remunerada com uma campanha. Criadores podem comentar de forma independente sobre candidatos e disputas, e uma entrevista com um candidato, por si só, não comprova que o apresentador esteja sendo pago ou trabalhando para uma campanha. Figuras políticas participaram tanto de programas explicitamente políticos quanto de podcasts mais abrangentes, enquanto alguns criadores também levaram sua atuação política para fora da internet.

Há, porém, parcerias nas quais campanhas pagam criadores para publicar conteúdo. O New York Times informou que a campanha de Katie Porter ao governo da Califórnia pagou US$ 25.000 à criadora de conteúdo de estilo de vida Avery Cyrus por uma publicação no TikTok que parecia ser a única. Também informou que a campanha de Tom Steyer pagou pelo menos US$ 5.000 a cada um de 17 influenciadores. Steyer defendeu os pagamentos em uma publicação no Substack, descrevendo-os como remuneração pelo trabalho e pelo tempo dos criadores.

O apoio de uma organização sem fins lucrativos pode funcionar de outra forma. A Chorus afirma que suas bolsas ajudam criadores a desenvolver suas plataformas e informar o público, em vez de pagar por uma publicação específica de campanha. A cofundadora Leigh McGowan disse que os criadores do programa mantêm o controle de suas plataformas: a Chorus não aprova suas publicações nem exige que apoiem candidatos específicos. A organização também não exige que os criadores divulguem seu apoio, alegando preocupação com assédio.

Essa variedade pode dificultar que o público saiba se o conteúdo político é independente, apoiado por uma organização sem fins lucrativos ou pago por uma campanha. Um relatório do Center for Democracy & Technology, baseado em parte em mais de 30 entrevistas, constatou que pode ser difícil rastrear as relações financeiras entre criadores, agências e grupos políticos. Os pesquisadores disseram que parcerias opacas dificultam distinguir a coordenação política paga da não remunerada na internet.

O relatório também descreveu uma preocupação distinta: parcerias comerciais podem se tornar um meio de disseminar desinformação eleitoral. Durante as primárias para a prefeitura de Los Angeles, influenciadores pagos por parceiros da Kalshi ou da Polymarket promoveram probabilidades de apostas enquanto espalhavam alegações de que autoridades estavam fraudando a disputa contra Spencer Pratt, segundo uma análise do CDT de 29 de outubro. Mais tarde, a Kalshi pediu a vários influenciadores que removessem publicações que violavam suas políticas de marketing de afiliados.

À medida que campanhas, grupos de defesa de causas e candidatos continuam usando criadores para alcançar eleitores, a pessoa que transmite uma mensagem política pode ser conhecida, enquanto o financiamento e as expectativas por trás dela permanecem menos visíveis.

Fontes: Mashable.